quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Balanço de 4 (em 5) dias de Rio

Pede a prudência que não se façam resumos nem conclusões antes do final do jogo.

Neste momento encontramo-nos realmente nos últimos 15 minutos do encontro e a experiência acumulada de muitas partidas diz-nos que ainda tudo pode acontecer. No entanto, qual comentador da bola, não resisto em fazer um balanço geral de 4 dias de Rio com afirmações categóricas acerca dos resultado geral e da participação dos jogadores intervenientes, sabendo que amanhã poderei ser obrigado a desmentir-me.

Assim, e antes de entrar mais em detalhe, gostaria de recordar que partimos com esta viagem com malas pequenas e 15kg contados em cada uma para evitar excessos de bagagem e excessos de entusiasmo. Sem problema, porque vinhamos para o Rio passear pelos sítios que conhecemos mas onde nunca tinhamos estado juntos, admirar os encantos naturais da cidade e não para fazer compras (até porque os preços no Brasil estão ao nível do mais caro da Europa).

Começando pelo dossier compras, a viagem foi um fracasso total. O computo geral dos intervenientes na partida foi de "fraco" (eu) a "miserável" (a Rita). Anote-se:
  • 1 top e 1 vestido (rita dixit, "são tão giros e não custam uma fortuna")
  • 4 camisetas baratuchas (joão dixit, "tenho de lavar e só custam o dobro se comprar novas")
  • 1 calças bêje (joão dixit, "é a única coisa que realmente queria comprar para substituir aquelas que estão manchadas")
  • 1 sandálias pretas (rita dixit, "para substituir as que ficaram na madeira")
  • 1 sandálias prateadas (joão dixit, "mas não era pretas que querias?"; rita dixit, "têm tudo a ver comigo")
  • 1 colar com bolas de resina (joão dixit, "é caríssimo"; rita dixit, "é o preço deles e não se encontra em Lisboa
  • 3 brincos com resina (menina da loja dixit, "quer ver um brinco ou um anel para combinar"; casal em uníssono "NÃO!"; menina da loja, "tem estes quadrados, estes compridos, estas ARGOLAS....". O resto adivinha-se...)
  • 1 túnica Osklen (joão dixit, "estas gajas aqui no Rio são um bocado antipáticas, se fosse na Oscar Freire tinha levado meia loja...")

alguns itens adquiridos


Mas o pior mesmo foi na praia, um terreno no qual não estamos habituados a ser bombardeados com uma oferta completíssima dos mais variados itens comestíveis e outros. A lista de aquisições inclui:

  • enúmeras doses, perdão, porções de esfiha de queijo, carne e espinafres, suco de abacaxi com hortelã, matte natural e matte limão, queijo de coalho, sanduíche natural, coco, coca cola e muitas gêladinhas. Acho que a única falha foi o picolé, mas amanhã ainda é dia...
  • 1 vestidinho de praia (rita dixit, "não preciso nada, tenho tantos mas é lindo e é mais barato aqui na Barra do que em Ipanema")
  • 1 canga preta e branca (joão dixit, "#$%&£§€, acabei de rasgar a canga preta e branca que trouxeste do méxico. Chama aí o cara das cangas)
  • 1 canga com o fénix que renasce das cinzas (cara das cangas dixit, "leva 2 faço desconto")
  • 1 bikini tómara que caía (joão dixit, "suspiiiiiiiroooooo")
  • 1 bolinha de ipanema* (joão dixit, "já que não jogas frescobol a ver se jogas isto")
* veja-se figura anexa


não fazemos ideia como esta cena se chama, mas é giro...


No que diz respeito a "admirar os encantos naturais da cidade": começo auspicioso com subida ao trenzinho do corcovado e bondinho do pão de açucar (incluindo descida a pé pela trilha do Morro da Urca por avaria no bondinho) em um só dia foi seguido de alguns outros bons apontamentos como passeio até à Barra da Tijuca pela avenida marginal (uma estreia para os dois).

Infelizmente alguns abusos de confiança (consubstanciados por cartões amarelos diários motivados por olhadas escandalosas a negrões de sunga) levaram desde já à suspensão imediata da jogadora Rita Oliveira Moreira. Esta jogadora não poderá participar em quaisquer férias ou eventos sociais sem prévia autorização do marido por um período de 2 meses (pena efectiva, sem oportunidade de apelo).

E era a mim que não queriam deixar vir para o Rio sozinho...









terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rio

Oi galera, tudo bom?

Cá estamos na cidade maravilhosa. Chegamos às 00:00 há quatro noites atrás. Safamos o jantar no Opium, o restaurante do hotel onde nos mandámos um sushizinho de entrada (estávamos já a ressacar deste tipo de comida) e um prato tailandês dentro de uma casca de ananás com muito camarão e especiarias, uma delícia.

Domingo aqui no Rio mal se pode por o pé na areia de tanta gente que esta na praia por isso decidimos ir morrer de calor para outro lado e pela terceira vez na nossa vida (mas pela primeira vez juntos) subimos primeiro ao Pão de Açúcar e depois ao Corcovado, das melhores vistas de sempre, da mesma cidade mas ainda assim tão diferentes. Milhares de brasileiros de férias no Rio decidiram fazer o mesmo do que nós o que fez com que demorássemos a tarde toda a fazer estas duas subidas (e descidas – sendo que do Pão de Açúcar tivemos que descer a pé do Morro da Urca porque o segundo Bondinho “quebrou” e lá tivemos nós que nos fazer ao caminho se não perdíamos o “ingresso” no Corcovado que era às 16:20).





Chegados ao hotel a merecida banhoca do final do dia soube-nos a ginjas já que o calor tinha-nos sufocado o dia todo. Mas o que não mata engorda e prontos para engordar estávamos nos antes do jantar no Térèze, um restaurante recomendado pelo nosso amigo André Halm, ferranho frequentador do Rio por morar aqui perto, em São Paulo. Depois de três taxistas não saberem onde era o restaurante o quarto que tinha GPS lá nos levou ao Bairro de Santa Teresa, passando por uma favela que metia respeito ao mais destemido, mas sem problemas chegamos. Resumo do jantar: um vinho decente (argentino), umas entradas boas e uns pratos principais espectaculares: o João um cordeiro e eu um risoto com queijo de minas curado e cogumelos selvagens, mmmmm, uma delícia.



2º dia – Praia. Fartos de tanto frio e natureza campestre argentina nada melhor que a praia urbana de Ipanema para variar um pouco. Cadeirinha, chapéu de sol e estávamos instalados. Depois era só escolher de entre a variadíssima oferta que passa à nossa frente, tanto gastronómica como de pronto a vestir, só no Brasil, é fabuloso. Ao final da tarde um shopingzinho no Shopping Leblon (onde tudo está a preços europeus, ou seja, caríssimo) culminado depois do famoso Sushi Leblon onde decidimos ficar sentados no Sushi Bar e por isso não esperamos os 60 minutos previstos para conseguir mesa e sim uns 5 minutos que nos fizeram sentir habitués da casa. Mandámo-nos uns temakis de entrada e depois uma pratada de sushi e sashimi que dava para alimentar quatro jovens de 15 anos em fase de crescimento.



3º dia – a estadia no Rio ainda vai a meio e com notícias de que em Portugal não pára de chover e estão 4 graus estamos seriamente a pensar perder o avião na quinta-feira. Hoje estivemos na Praia da Barra da Tijuca para variar um pouco, muito vento mas o mesmo mar cálido que em Ipanema (por sinal nunca antes por mim experimentado das outras 2 vezes que estive no Rio) e uma novidade: o queijo coalhou que não há nas praias do centro + preços mais acessíveis motivo pelo qual adquirimos vários itens para exibir no Verão 2010 em Lisboa.

2 noites e 2 dias, é o que sobra desta maravilhosa lua de mel. Vamos ver se passam devagar devagarinho. Se passarem depressa não faz mal que as saudades do pessoal e de Lisboa já apertam.



Besos
Rita

PS: queiram desculpar os bloguers habituados às imagens de alta qualidade da máquina do João. Estas que aqui vos deixo foram tiradas com o telemóvel, mais adequado a estas paragens.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Pojo rejeno con ceboja

Os blogs de qualidade distinguem-se pelos textos cativantes e elevada sofisticação gráfica que aliam a capacidade de entreter os seguidores à utilidade de lhes fornecer informação útil que um dia lhes poderá ser preciosa.

Foi a pensar nesta componente didática (já que em tudo o resto estamos irremediavelmente perdidos...) que decidi fazer este post. Trata-se de um utilíssimo guia de sobrevivência na Argentina em jeito de dicionário Argentino - Castelhano. Totalmente indispensável para quem ambiciona manter dois dedos de conversa com um Argentino. Ora anotem:

  • Buen día! -> buenos días!
  • Vos -> Tu
  • Eso es muy lindo! -> Eso es precioso
  • Es barbaro -> Estupendo
  • Divino -> Fenomenal
  • Frutillas -> Fresas
  • Gracias -> Gracias
  • No por favor -> De nada
  • Quieres vino? -> Quieres vino?
  • Apenitas -> solo un poco

Ah, e caso se estejam a perguntar porque é que o post se chama "Pojo rejeno con ceboja" há uma explicação: caso ouçam alguém dizer esta estranhíssima frase, ele/ela está realmente a falar de "Pollo relleno con cebolla".

Aceitem desde já os nossos últimos "besitos" que o próximo post já vai ser em tons de "Oi?", "sanduíchí" e "ênêrgéticu".

Valeu galera? Bêlêêêzaaaa!



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Gelo

Queridos bloguers,

No momento em que escrevo encontro-me a fazer a digestão de mais um jantar maravilhoso do Eolo, um hotel pertencente aos Relais & Chateaux espalhados por esse mundo fora e que tivemos o prazer de experimentar nestes três dias em que estivemos em El Calafate, no Sul da Argentina. Tenho uma paisagem à minha frente de perder de vista, com uma pasto gigante, seguido do Lago Argentino (azul turquesa) e depois umas longínquas montanhas – veja-se figura em baixo (esta é a vista do nosso quarto).



Na primeira manhã acordámos bem cedo para fazer o passeio de barco “Todo Glaciares” no sentido de descobrirmos o que eram essas formações de gelo que tanto ansiávamos conhecer. Nada do que imaginamos se compara ao que vimos.

A primeira experiência no lago Argentino foi um iceberg que se tinha desprendido de um dos três glaciares que rodeiam o Lago. No canal dos icebergs, um dos braços do Lago que por sua vez vai dar ao glaciar Upsala estava um pedaço de gelo gigante de cores azuis (única cor que o iceberg reflecte devido à compactação do gelo e do pouco oxigénio que tem no seu interior) como a minha querida irmã diria just fabulous!



Lago acima, lago abaixo neste primeiro dia tivemos a oportunidade de ver de perto dois glaciares: O Spegatini e o Perito Moreno (sobre o qual andaríamos no dia a seguir). Vimos um desprendimento fabuloso que não é mais do que o glaciar a partir e a cair na água, fazendo um barulho ensurdecedor de uma derrocada de um prédio. O maior destes glaciares tem uma altura de aproximadamente 130 metros sendo que o que vemos é apenas ¼ daquilo que o glaciar é, o resto está debaixo de água…. Não há mais palavras para descrever o que vimos, vejam com os vossos olhos o que a câmara do João captou.





Segundo dia: excursão Big Ice. Mais uma vez o despertador toucou antes das sete da manhã para iniciarmos mais um dia inesquecível: uma caminhada sobre o glaciar Perito Moreno que durou desde as 11 da manhã até às 16:30, passamos literalmente o dia todo a explorar um glaciar. Depois de uma hora de caminho pela floresta para chegar à parte mais plana do glaciar pusemos os grampos nos pés (cenas de metal com picos na sola) e partimos à aventura atrás dos nossos guias com mais oito turistas. Gelo, gelo e mais gelo, azul, azuis e mais azuis. Riachos, gretas profundas com água lá dentro, tudo verdadeiramente novo, verdadeiramente impressionante. Vejam as pics.







Amanhã seguimos viagem para o calor, o calor da cidade maravilhosa onde vamos acabar o nosso périplo pela América Latina e onde finalmente teremos rede nos telemóveis depois de sete dias na Patagónia.

Besos

Rita



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Eso es muy lindo, barbaro, divino!...

Aqui fica um apanhado das melhores fotografias tiradas na Estancia Arroyo (pron. arrojo) Verde nos 4 magníficos dias que por lá passamos.

Em jeito de fotoblog, reduzo as palavras ao estritamente necessário... Só tenho pena que não possamos partilhar as melhores imagens porque ocorreram em passeios a cavalo para os quais não levei a máquina.



Relvado em frente da casa principal


"Solito". Este novilho ficou orfão e estava a ser amamentado à mão


Esta fotografia só tem lindas flores!...


Entardecer na cabine em frente ao lago Traful


Saída para a pesca (com mosca...)


Em busca do melhor spot


A espiar as trutas


Elas andavam por aqui


Roll cast. Técnica perfeita!

Última tentativa ao fim do dia


Sala de Jantar. A Meme encabeçava a mesa todas as noites e carregava num botão para dar sinal de servir e/ou levantar pratos (ao estilo da Avó Manecas na quinta com o sininho)


Bar. Ponto de encontro obrigatório antes das refeições para beber Pisco Sour e depois das refeições para os digestivos habituais


Pampa patagónica


"já te disse que o caminho é por ali"


Neste passeio o olhar embrutecido de 50 ovelhas pôs a Rita a trote


Terreno difícil


A morte faz parte da paisagem patagónica


Papoilas abertas e fechadas. Não havia ópio, ok?



Casa principal da Estancia vista do jardim


A "amazona" prepara-se


Waine, John Waine. Mas também o chamavam Trinitá


Assim até parece que não tem medo


Canario (à esquerda) e Rosiña (à direita)


Vista do lago Traful do lombo do Canario


Calamaty Jane



The wild bunch: Rita, Marina e Katrena.
(Charlie no background momentos antes de sacar do blackberry)


Gandhi, o labrador mais truta da Argentina num raro momento fora de água











terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bariloche







Queridos amigos,


Imaginem um sitio onde saem do aeroporto e imediatamente têm uma paisagem deslumbrante. Imaginem uma estância no meio das montanhas onde nunca fechamos à chave o nosso quarto, onde as donas da casa tomam todas as refeições com os hóspedes, onde há um rio (o Traful) que cruza toda a propriedade cheia de ciprestes e as mais variadas flores. Imaginem um sitio onde as passeatas a cavalo são de cortar a respiração, as passeatas a pé e a própria vista da casa é maravilhosa. Já imaginaram? É onde nós estamos, a estância Arroyo Verde, que descobrimos no livro da Taschen que o João me deu uma vez e que tem os “Great Escapes of South America”.

Chegámos à Bariloche há três dias e viemos direitos para cá. Uma hora e meia der caminho para chegar, uma paisagem maravilhosa que faz parte da patagónia argentina e que nos faz pensar que apesar das inúmeras viagens que já fizemos há sítios que nos continuam a surpreender. Mal “aterramos” na estância Arroyo Verde, a Katerina (RP cá do sitio, da Escócia mas que odeia whisky, e que tem 50 e tal anos) e a Marina (a filha mais velha da Memé, a proprietária cá do sitio) receberam com entusiasmo e com um beijinho na cara e sentaram-nos à mesa do final de um barbecue que adorámos porque estávamos a morrer de fome. A partir daí a nossa estadia aqui não pára de nos surpreender. Logo nesse dia, e depois da obrigatória sesta (que se prolonga sempre por duas hora e meia – devido ao vinho maravilhoso ingerido ao almoço) fomos dar uma passeio de duas horas a cavalo. Bordeamos o Rio Traful que é maravilhosamente transparente e continuamos pelas planícies da propriedade.

Os dias seguintes mais passeios a cavalo, pesca com a mosca (altura em que o João pescou um peixinho de 3 cm e depois, da parte da tarde e já cansado, conseguiu espetar o anzol onde a mosca estava na cabeça dele próprio mas sem qualquer problema de maior enquanto eu lia animadamente o meu Courrier Internacional depois de ter tentado pescar durante 20 minutos de manhã, com água até aos joelhos, e sem qualquer tipo de futuro neste desporto).

Conhecemos pessoas simpáticas nesta nossa estadia: dois casais de americanos (um deles em lua de mel), uma casal de australianos de Sidney, uma casal de americano+brasileira e hoje, acabadinhos de chegar, um casal mais velho de dois homens americanos que parecem super simpáticos e com os quais vamos ter o prazer de conviver mais tarde, depois da 3º passeata a cavalo, à hora do jantar.

Escusado será dizer que estamos a passar uns dias extraordinários no Arroyo Verde. Já nos despedimos com carinhosos abraços e beijinhos na face das nossas três anfitriãs antes de irmos para a cama todas as noites (a Memé, a Marina e a Katerina) e já conhecemos a história da propriedade que pertencia ao sogro da Memé que quando faleceu deixou esta parte da propriedade ao filho Mauricio (porque achou que ele iria vender a propriedade) e as outras terras na outra margem do rio Traful ao filho Felipe (este sim acabou por vender a sua propriedade ao Ted Turner (dono da CNN) já que estas terras não traziam boas recordações ao Filipe (perdeu uma filha à nascença e o seu filho de 21 anos suicidou-se). O Ted quer comprar a propriedade onde estamos para ficar com toda a extensão de terra que outrora (antes da separação do território em dois) se chamava Primavera. Mas a Memé não vende nem por nada porque quer preservar o conceito fantástico que o seu marido Mauricio deixou neste lugar, a Estância Arroyo Verde.

Amanhã partimos para El Calafate, onde vamos estar no sitio mais a sul onde alguma vez estivemos e onde estamos a planear ver o Glaciar de Perito Moreno, algo que nos disseram ser verdadeiramente impressionante. So, stay tuned!

Beso