


Queridos amigos,

Imaginem um sitio onde saem do aeroporto e imediatamente têm uma paisagem deslumbrante. Imaginem uma estância no meio das montanhas onde nunca fechamos à chave o nosso quarto, onde as donas da casa tomam todas as refeições com os hóspedes, onde há um rio (o Traful) que cruza toda a propriedade cheia de ciprestes e as mais variadas flores. Imaginem um sitio onde as passeatas a cavalo são de cortar a respiração, as passeatas a pé e a própria vista da casa é maravilhosa. Já imaginaram? É onde nós estamos, a estância Arroyo Verde, que descobrimos no livro da Taschen que o João me deu uma vez e que tem os “Great Escapes of South America”.



Chegámos à Bariloche há três dias e viemos direitos para cá. Uma hora e meia der caminho para chegar, uma paisagem maravilhosa que faz parte da patagónia argentina e que nos faz pensar que apesar das inúmeras viagens que já fizemos há sítios que nos continuam a surpreender. Mal “aterramos” na estância Arroyo Verde, a Katerina (RP cá do sitio, da Escócia mas que odeia whisky, e que tem 50 e tal anos) e a Marina (a filha mais velha da Memé, a proprietária cá do sitio) receberam com entusiasmo e com um beijinho na cara e sentaram-nos à mesa do final de um barbecue que adorámos porque estávamos a morrer de fome. A partir daí a nossa estadia aqui não pára de nos surpreender. Logo nesse dia, e depois da obrigatória sesta (que se prolonga sempre por duas hora e meia – devido ao vinho maravilhoso ingerido ao almoço) fomos dar uma passeio de duas horas a cavalo. Bordeamos o Rio Traful que é maravilhosamente transparente e continuamos pelas planícies da propriedade.
Os dias seguintes mais passeios a cavalo, pesca com a mosca (altura em que o João pescou um peixinho de 3 cm e depois, da parte da tarde e já cansado, conseguiu espetar o anzol onde a mosca estava na cabeça dele próprio mas sem qualquer problema de maior enquanto eu lia animadamente o meu Courrier Internacional depois de ter tentado pescar durante 20 minutos de manhã, com água até aos joelhos, e sem qualquer tipo de futuro neste desporto).
Conhecemos pessoas simpáticas nesta nossa estadia: dois casais de americanos (um deles em lua de mel), uma casal de australianos de Sidney, uma casal de americano+brasileira e hoje, acabadinhos de chegar, um casal mais velho de dois homens americanos que parecem super simpáticos e com os quais vamos ter o prazer de conviver mais tarde, depois da 3º passeata a cavalo, à hora do jantar.

Escusado será dizer que estamos a passar uns dias extraordinários no Arroyo Verde. Já nos despedimos com carinhosos abraços e beijinhos na face das nossas três anfitriãs antes de irmos para a cama todas as noites (a Memé, a Marina e a Katerina) e já conhecemos a história da propriedade que pertencia ao sogro da Memé que quando faleceu deixou esta parte da propriedade ao filho Mauricio (porque achou que ele iria vender a propriedade) e as outras terras na outra margem do rio Traful ao filho Felipe (este sim acabou por vender a sua propriedade ao Ted Turner (dono da CNN) já que estas terras não traziam boas recordações ao Filipe (perdeu uma filha à nascença e o seu filho de 21 anos suicidou-se). O Ted quer comprar a propriedade onde estamos para ficar com toda a extensão de terra que outrora (antes da separação do território em dois) se chamava Primavera. Mas a Memé não vende nem por nada porque quer preservar o conceito fantástico que o seu marido Mauricio deixou neste lugar, a Estância Arroyo Verde.
Amanhã partimos para El Calafate, onde vamos estar no sitio mais a sul onde alguma vez estivemos e onde estamos a planear ver o Glaciar de Perito Moreno, algo que nos disseram ser verdadeiramente impressionante. So, stay tuned!
Beso