quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um pouco de realidade

Quem tenha lido mesmo que superficialmente os primeiros posts da rita sobre a viagem ficou decerto com a ideia que tudo é fantástico e maravilhoso em Buenos Aires e que viajar é a melhor coisa do mundo e que a nós corre sempre tudo espectacularmente bem.



Li o post, superficialmente, e senti-me obrigado a introduzir algum realismo assim como quem repoe (este teclado argentino nao tem tils...) "verdade desportiva".



O primeiro stress da viagem ocorreu na escala em S. Paulo. Bem, nao exactamente na escala mas aproximadamente 2 horas antes de aterrarmos quando a Rita se apercebeu que nao íamos recuperar o atraso que levávamos da partida e começou a fazer as mais variadas perguntas e a tecer, nalguns casos disparatadas, consideraçoes. Tipo "temos que mudar de terminal?", "há mais voos para Buenos Aires hoje?", "a TAP paga-nos a estadia em S. Paulo?", "de certeza que as malas vao ficar em S.Paulo" etc, etc. Foram 2 horas a antecipar filmes que acabaram por nao acontecer e que me fizeram recolocar os tampoes para os ouvidos a seguir ao pequeno almoço...



Chegados a Buenos Aires fomos brindados com chuva torrencial. Calhou-nos na rifa um taxista Juan Manuel Fangio que nao baixou dos 120 durante 30km que fez com que, ao fim de 500m de autoestrada conseguiu que a Rita colocasse o cinto de segurança e segura-se a minha mao como se nao houvesse amanha.



O pior estava para vir.



Chegados as Terrazas Palermo, bastante cansados e ainda com o pulso acelarado do percurso em taxi, fomos confrontados com a necessidade de subir 2 lances de escadas à chuva para chegar ao nosso loft. Nem precisei de olhar para a Rita para saber no que estava a pensar. Peguei em 2 malas e no que mais pude (qual preto da casa africana) e toca a subir. Depois de entrarmos outra agradável surpresa: os roupeiros do encantador loft encontravam-se (naturalmente) junto à cama na mezaninne para o qual (obviamente) teriamos de subir mais um lance de escadas.


Findas as formalidades com a nossa anfitria, e aproximadamente 3,5 segundos após termos ficados a sós no nosso primeiro ninho de amor da nossa lua de mel, fui brindado com um enxorrilho de palavras "carinhosas" que me abstenho de detalhar demasiado para nao ferir bloggers mais sensiveis mas que incluíam adjectivos como "espelunca" e auto censuras do género "a culpa é minha que nao quis tratar de nada".

Mas temo que o pior ainda esteja para vir...

Por razoes várias totalmente inimputáveis à minha pessoa, encontramo-nos neste momento a 2 horas da meia noite do dia 31 e nao temos reserva em nenhum dos 4 restaurantes que estao abertos em Buenos Aires. Vamos sair e, se tudo correr normalmente, voltaremos às 23h52 esganados de fome para comer a unica coisa que temos no loft: um pacote e meio de bolachas sabor tropical, um litro de leite e um iogurte sabor morango...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mesa 25

(post escrito dia 28 de Dezembro)

Muitos dos que vão seguir este blog fizeram parte da grande festa que foi o nosso casamento no passado dia 26 de Dezembro. Todos me avisaram: “passa muito rápido, aproveita casa segundo” e assim foi desde que acordei às 7:30 da manhã até que adormeci às 3:30 do dia 27.

Gozei ao máximo casa minuto da preparação da “noiva”, da cerimónia na Igreja e do chamado copo de agua onde se bebeu tudo menos esse líquido. O nosso casamento foi melhor do que aquilo com que desde a algum tempo tinha sonhado, foi maravilhoso.

Dizem que tudo o que é bom acaba mas a festa ainda agora começou. Chegámos ontem a Buenos Aires e, apesar de termos feito upgrade para 1º classe e termos vindo refastelados nos cadeirões da TAP toda a viagem, foram cerca de 16 horas de voos com os atrasos habituais, com uma escala em S. Paulo que por milagre conseguimos concretizar, etc. Ou seja, chegamos estafados. Facílimo e muito civilizado apanhar um táxi no aeroporto, com preço fixo para o centro da cidade (tudo a ver com Lisboa não acham?). Chegados às Terrazas Palermo e depois de um belo banho saímos para petiscar e acabamos por comer umas beringelas em escabeche maravilhosas (com u sabor muito parecido às que a minha mãe fazia na Venezuela) e uma bifalhada com mostarda e batatas “à espanhola”. Depois do repasto viemos a correr para casa dormir uma sestinha de 5 horinhas, coisa pouca. Saímos à meia noite para jantar, andamos tranquilamente pela rua empunhando as nossas novas alianças que muito orgulhosamente usamos desde Sábado. Tudo calmo, tudo seguro, ninguém diria que estamos num país da América Latina. Jantamos num dos locais indicados no guia da Lonely Planet: o Bar Uriarte. E depois viemos dormir mais umas oito horinhas para começar, hoje sim, o nosso passeio que nas bodas de prata poderá vir a dar o nome às mesas 25, 26, 27, 28 e 29 já que vamos andar por Buenos Aires, Bariloche, El Calafate, Rio de Janeiro (onde pela primeira vez vamos estar juntos) e finalmente Parati. Estas serão as “novas mesas” a juntar às que deram o nome aos cubos que sinalizavam onde cada convidado se devia colocar para o repasto e que totalizavam 24 spots onde já estivemos o João e eu.

Besos

Rita

Day 1


(Post escrito dia 29 de Dezembro)

Não há jet lag aqui em BA porque estamos uns paralelos ao lado do de Lisboa, o que traduzido em miúdos quer dizer que são apenas três horas de diferença. Às 6:30 da manhã estava já pronta para correr a maratona e decidi não ter piedade do meu novo marido e acordei-o. Normalmente nos países que conheço da América Latina a vida matinal começa muito cedo, pelas sete da manhã, mas aqui na Argentina parece ser diferente. Saímos do nosso apartamento com três andares (sala, quarto e terraço) e não havia viva-alma na rua, lojas e cafés fechados, ao longo de umas boas quadras a andar lá encontramos uma praça com um café vazio, ainda a receber o stock do dia, mas que nos serviu o pequeno almoço. Como era cedo achamos que era um bom dia para conhecer Colónia, uma cidade do Uruguai, mesmo ao outro lado do Rio da Plata, que é património da humanidade. Mas como nem tudo é fácil nas viagens, sejam elas de lua de mel, de lazer ou de trabalho, demo-nos conta que só havia ferrys dia 31 e não hoje por tanto o passeio que vos ia contar hoje fica para o ano, altura em que vos falarei desta cidade (já temos bilhetes para o último dia do ano que vai ser passado em terras uruguaias).

Com um sol radioso e uns tórridos 26ºC com 83% de humidade, como anunciava a telefonia dum dos nossos taxistas, pusemo-nos a andar a pé e passamos pela Av. 9 de Julho, a mais larga do mundo onde vimos o belo obelisco situado no meio da avenida. Caminhamos pela calle Florida, creio que a única rua pedonal de BA, com alguns restaurantes para turistas e ficámos um bom bocado na Torre Monumental, onde não pudemos subir porque o elevador não funciona faz agora 4 anos mas onde o simpático Daniel nos explicou os pontos obrigatór

ios da cidade o garantiu-nos que o elevador estaria a funcionar antes do 25 de Maio de 2010, altura em que se vão cumprir 200 anos da independência da Argentina e, promessa do Governo, todos os monumentos da capital estarão restaurados e prontos a visitar (exemplo é o Teatro Colón, um maravilhoso edifício hoje coberto de andaimes, que começou a ser construído em 1880 e nunca antes tinha sido restaurado (fonte desta informação um dos nossos taxistas do dia de hoje).

A fome apertava e fomos a um restaurante espanhol recomendado pelo guia, a decoração era tão espanhola que poderíamos dizer que estávamos em plena Madrid, exceptuado o facto de ninguém estar a falar alto e a fumar cinco cigarros por minuto para cima de nos.

Saídos do restaurante, uma surpresa: chuva. Então decidimos “despachar” o Museu de Belas Artes e ficámos surpreendidos com a sua fantástica colecção, cheia de quadros de artistas europeus desde o século XV até aos nossos dias e com uma interessante colecção de artistas locais. Destaque para uns quantos quadros do Goya, já do período negro do pintor; de alguns quadros de pintores franceses do século XIX, de um van Gogh e dois Modiglianis (sempre maravilhosos) e de um Pollock intitulado Estrela Fugaz que nos apeteceu trazer para casa.

Jantarinho: estava na hora de comer a famosa bifalhada argentina. Na antiga zona do porto, onde permanecem os guindastes que outrora descarregavam os navios (tipo Torre da Galp na Expo), entramos no restaurante Estilo Campo onde desfrutamos de um bife jugoso (mal passado) que vinha com a vaquinha amorosa que podem ver na imagem para que não houvesse dúvidas de que o bife estava ao nosso gosto e como tínhamos pedido. Depois do repasto e de termos virado uma garrafa de vinho dirigimo-nos ao Hotel Faena para beber um copo. Muitos dos que já vieram a BA aconselharam-nos a visitar o bar deste local mas certamente tiveram mais sorte que nós porque tirando as azeitonas que vieram com as bebidas o Faena pareceu-nos pretensioso de tão barroca que é a decoração (as torneiras da casa de banho são cisnes), o copo de cocktail do João estava partido e as pessoas no bar fingiam divertir-se ao som da pior banda que já ouvi na minha vida e que destoava completamente do sitio onde nos encontrávamos: um rockabilly com calças justas, cabelo em pé e a cantar umas musicas tipo mix Beattles e Bob Marley ou então uma versão rock de uma música do Frank Sinatra. Mau de mais. Primeira experiência traumatizante da viagem.

Besos

Rita